A TrueFi é um protocolo de finanças descentralizadas (DeFi) especializado em empréstimos institucionais sem garantia (uncollateralized lending), um modelo que elimina a necessidade de os mutuários depositarem colateral cripto para receberem financiamento. Em vez de exigir que quem pede emprestado bloqueie 150%+ do valor em criptomoedas (como fazem Aave ou Compound), a TrueFi avalia a credibilidade do mutuário através de uma pontuação de crédito on-chain e da votação da comunidade de detentores de TRU.
O protocolo foi criado em 2020 por Rafael Cosman, americano, licenciado em Ciência da Computação pela Universidade de Stanford e CEO da TrustToken, a mesma empresa responsável pelo TUSD (TrueUSD), uma das primeiras stablecoins regulamentadas do mercado. Cosman construiu a TrueFi para resolver um problema fundamental do DeFi: a ineficiência de capital causada pela sobre-colateralização. A visão era criar o equivalente descentralizado do crédito bancário, onde a reputação e o histórico financeiro do mutuário importam mais do que o colateral bloqueado.
O modelo de crédito da TrueFi funciona em três camadas:
1. TrueFi Credit Score, um sistema proprietário que combina dados on-chain (histórico de pagamentos, actividade DeFi), demonstrações financeiras off-chain e avaliação da comunidade para atribuir uma pontuação de crédito a cada mutuário institucional. É, essencialmente, um "FICO score" descentralizado para o mercado cripto. 2. Votação da comunidade, detentores de stkTRU (TRU em staking) votam na aprovação ou rejeição de cada pedido de empréstimo. Se a maioria vota a favor, o empréstimo é libertado. Isto adiciona uma camada de governança humana ao processo algorítmico. 3. stkTRU como seguro (backstop), quem faz staking de TRU fornece um backstop de seguro para o protocolo. Se um mutuário entrar em default, os tokens stkTRU podem ser parcialmente liquidados (slashed) para cobrir perdas dos investidores do pool. Quem faz staking ganha recompensas, mas arrisca perder parte do capital se aprovar empréstimos que falham.
A TrueFi já originou mais de $1,7 mil milhões em empréstimos desde o lançamento. Os mutuários incluíram algumas das maiores negociação firms e market makers do mercado cripto: Wintermute, Amber Group, Folkvang e, notavelmente, Alameda Research, a negociação firm de Sam Bankman-Fried que entrou em default após o colapso da FTX em Novembro de 2022, resultando numa perda de $7,9 milhões para o protocolo.
Este default da Alameda Research foi um dos primeiros defaults reais num protocolo DeFi de lending, e um momento definidor para a TrueFi. O protocolo sobreviveu ao evento, activou os mecanismos de recuperação e continuou a operar. A experiência levou ao desenvolvimento do TrueFi V4, que introduziu Lines of Credit, linhas de crédito rotativo para mutuários aprovados, e maior foco em empréstimos de activos do mundo real (RWA lending).
O token TRU é um ERC-20 (Ethereum) e serve quatro funções no protocolo:
- Governança, detentores de TRU votam em propostas de protocolo e parâmetros de risco
- Staking (stkTRU), funciona como camada de seguro; stakers ganham recompensas mas arriscam slashing em caso de default
- Votação de crédito, stkTRU é necessário para votar na aprovação de empréstimos individuais
- Taxas do protocolo, parte das taxas de originação de empréstimos é distribuída a stakers
A TrueFi faz parte do ecossistema TrustToken, que inclui o TUSD (TrueUSD) e outros activos tokenizados. O protocolo diferencia-se da concorrência pela combinação única de credit scoring algorítmico com governança comunitária, um modelo que nenhum outro protocolo replicou na mesma escala.