A Tezos (XTZ) é uma blockchain Layer 1 auto-evolutiva, a primeira a implementar um sistema de governança on-chain que permite modificar as regras do próprio protocolo sem hard forks. Fundada em 2018 por Arthur Breitman e Kathleen Breitman, a Tezos nasceu de uma visão clara: uma blockchain que se adapta ao futuro sem se partir.
O mecanismo de consenso da Tezos chama-se LPoS (Liquid Proof of Stake), também conhecido como baking no ecossistema Tezos. Ao contrário do Proof of Work do Bitcoin (que exige mineração com hardware intensivo), o LPoS permite que qualquer detentor de XTZ participe no consenso da rede com consumo energético mínimo. Os participantes ativos chamam-se bakers e os que delegam os seus XTZ sem gerir um nó chamam-se delegadores.
Como funciona a governança on-chain da Tezos?
A Tezos resolve um dos maiores problemas das blockchains tradicionais: como evoluir sem dividir a comunidade. No Bitcoin e no Ethereum, as grandes atualizações históricas geraram hard forks, divisões irreversíveis da cadeia, com duplicação de tokens e fragmentação da comunidade (ver: Bitcoin vs Bitcoin Cash, Ethereum vs Ethereum Classic).
Na Tezos, qualquer programador pode propor uma emenda ao protocolo. O processo segue quatro fases de votação entre os bakers:
1. Propostas, bakers submetem e votam nas propostas 2. Exploração, a proposta mais votada avança para debate técnico 3. Implementação, injeção do código em testnet para validação 4. Adopção, votação final. Se aprovada, a mudança ativa-se automaticamente
Este mecanismo de auto-emenda (self-amendment) significa que a Tezos pode mudar o seu mecanismo de consenso, as suas regras económicas ou a sua estrutura técnica sem quebrar a cadeia, algo sem precedentes à data da sua criação.
Casos de uso principais:
- Contratos inteligentes, linguagem Michelson, formal e auditável, e Smartpy/LIGO para programadores
- NFTs, a Tezos tem um dos maiores ecossistemas de arte digital generativa (Fxhash, Teia/hic et nunc)
- Tokenização de ativos reais (RWA), instituições como a Société Générale e a BNP Paribas já usaram a Tezos para emitir obrigações tokenizadas
- Finanças descentralizadas (DeFi), ecossistema crescente com DEXs, lending e yield farming nativos
O XTZ é o token nativo da rede: serve para pagar taxas de transação, participar no baking, votar em propostas de governança e staking via delegação.