Mina Protocol é uma blockchain Layer 1 que resolve um dos maiores problemas das redes descentralizadas: o crescimento ilimitado do tamanho da cadeia. Enquanto o Ethereum ocupa mais de 500GB e o Bitcoin ultrapassa os 500GB de dados, a Mina mantém toda a blockchain com apenas ~22KB, o equivalente a alguns tweets. Este tamanho fixo nunca cresce, independentemente de quantas transacções sejam processadas ao longo do tempo.
O projecto foi criado por Evan Shapiro (CEO) e Izaak Meckler (CTO, doutorado em ciência da computação), ambos co-fundadores da O(1) Labs, a empresa responsável pelo desenvolvimento da Mina. O nome "Mina" vem do grego e significa "unidade de medida", uma referência ao objectivo de criar uma blockchain que qualquer pessoa possa medir (verificar) por si mesma. A mainnet foi lançada em Março de 2021, e a O(1) Labs angariou um total de $92 milhões em financiamento de investidores como a16z (Andreessen Horowitz), Coinbase Ventures e Polychain Capital.
O segredo técnico da Mina está no uso de zk-SNARKs recursivos, especificamente o sistema de provas Pickles, desenvolvido internamente pela O(1) Labs. Em vez de guardar o histórico completo de todas as transacções (como faz o Bitcoin ou o Ethereum), a Mina comprime todo o estado da blockchain numa única prova criptográfica que qualquer dispositivo pode verificar instantaneamente. Cada novo bloco gera uma nova prova que engloba toda a prova anterior, daí o "recursivo". O resultado: qualquer pessoa pode correr um nó completo da Mina num telemóvel ou num browser, algo impossível nas blockchains tradicionais que requerem servidores com centenas de gigabytes de armazenamento. O sistema de verificação criptográfica subjacente chama-se Kimchi e funciona em conjunto com o Pickles para garantir a integridade de toda a cadeia.
O token nativo da rede chama-se MINA e é usado para:
- Pagamento de taxas de transacção na rede
- Staking, delegar MINA a validadores (block producers) para ganhar recompensas
- Governança do protocolo, participar em decisões sobre upgrades da rede
- Incentivos para snarkers, os nós que produzem as provas zk-SNARK compactas que mantêm a cadeia leve
A rede utiliza o consenso Ouroboros Samasika, uma variante do Proof-of-Stake desenvolvida especificamente para blockchains leves. Este mecanismo de consenso não requer que os validadores guardem o histórico completo da cadeia, basta verificarem a prova de ~22KB. Outra inovação fundamental são as zkApps, smart contracts que utilizam provas zero-knowledge para executar computações privadas. Ao contrário dos smart contracts tradicionais (onde toda a lógica e dados são públicos), as zkApps permitem verificar que uma computação foi feita correctamente sem revelar os dados de entrada. Os developers constroem zkApps com o1js (anteriormente SnarkyJS), uma biblioteca TypeScript/JavaScript, não precisam de aprender uma linguagem nova.