Celestia é a primeira blockchain modular do mundo, lançada em 2023 por Mustafa Al-Bassam, investigador da University College London (UCL) especializado em escalabilidade de blockchains. Al-Bassam co-autorou o whitepaper original do LazyLedger em 2019, o conceito académico que viria a tornar-se a Celestia, propondo uma arquitectura onde a blockchain se limita a ordenar e disponibilizar dados, delegando a execução e o consenso para outras camadas.
A tese modular da Celestia parte de uma ideia simples mas radical: as blockchains monolíticas como o Ethereum tentam fazer tudo, execução, consenso, disponibilidade de dados e liquidação, numa única camada. Isto cria bottlenecks inevitáveis. A Celestia separa estas quatro funções, especializando-se exclusivamente na disponibilidade de dados (DA). Rollups e redes Layer 2 publicam os seus dados na Celestia em vez de no Ethereum, pagando uma fracção do custo.
A inovação técnica central é o Data Availability Sampling (DAS). Em vez de cada nó da rede descarregar todos os dados de cada bloco (como no Ethereum), os nós da Celestia fazem amostragens aleatórias de pequenas porções dos dados. Se as amostras são consistentes, o nó conclui com alta probabilidade que os dados completos estão disponíveis. Isto permite que a Celestia escale a capacidade de dados sem exigir hardware cada vez mais potente, mesmo nós ligeiros em telemóveis conseguem verificar a disponibilidade dos dados.
O projecto captou $55 milhões em financiamento de investidores de topo como Bain Capital Crypto, Polychain Capital, Placeholder e Galaxy Digital. A Celestia disponibiliza ainda o Blobstream, uma ponte que permite a rollups do Ethereum (como Arbitrum ou Optimism) usar a Celestia para disponibilidade de dados enquanto mantêm a liquidação no Ethereum. O conceito de sovereign rollups, redes que usam a Celestia para dados mas têm o seu próprio consenso e governança, é outra inovação que a Celestia introduziu no ecossistema.