Band Protocol é uma plataforma de oráculos cross-chain lançada em 2019 por Soravis Srinawakoon e Sorawit Suriyakarn, ambos de nacionalidade tailandesa e formados no MIT (Massachusetts Institute of Technology). Soravis completou o MBA no MIT Sloan School of Management e trabalhou como consultor no Boston Consulting Group (BCG) antes de se dedicar ao blockchain. Sorawit fez o doutoramento no MIT em ciência da computação, trabalhou como engenheiro de software no Google e é reconhecido como programador competitivo de elite, uma combinação rara de rigor académico e capacidade técnica. O projecto nasceu na Tailândia em 2017 como empresa de tecnologia blockchain, tendo lançado o token BAND no Binance Launchpad (IEO) em Setembro de 2019.
O problema que a Band Protocol resolve é fundamental para toda a DeFi: as blockchains são sistemas fechados que, por defeito, não conseguem aceder a dados do mundo exterior, preços de activos, resultados desportivos, dados meteorológicos ou taxas de câmbio. Os oráculos são a ponte que traz essa informação para dentro dos contratos inteligentes de forma fiável e verificável. Sem oráculos, protocolos de lending não conseguem calcular liquidações, DEXs não conseguem definir preços e mercados de previsão não funcionam.
O que distingue a Band Protocol é ter a sua própria blockchain dedicada, a BandChain, construída sobre o Cosmos SDK. Originalmente lançada no Ethereum como conjunto de smart contracts, a Band migrou para o Cosmos em 2020 com o upgrade Laozi mainnet para ganhar escalabilidade e autonomia. Esta migração deu à BandChain validadores próprios, espaço de bloco dedicado e interoperabilidade nativa via IBC (Inter-Blockchain Communication), o protocolo de comunicação entre blockchains do ecossistema Cosmos.
Os validadores da BandChain executam Oracle Scripts, scripts personalizáveis que definem exactamente que dados buscar, de que fontes, como agregá-los e que parâmetros de validação aplicar. Cada Oracle Script especifica: quais APIs externas consultar (feeds de preço, dados meteorológicos, resultados desportivos), quantos validadores devem responder ao pedido (para garantir redundância), como agregar as respostas de múltiplos validadores (média, mediana, TWAP) e que critérios aplicar para rejeitar dados anómalos. Qualquer programador pode criar um Oracle Script e publicá-lo na BandChain, outros projectos podem reutilizá-lo ou combiná-lo com outros scripts, criando um ecossistema aberto e modular semelhante a uma biblioteca de funções partilhada.
A BandChain suporta cadeias EVM (Ethereum, BNB Smart Chain, Polygon, Avalanche) através de bridges dedicadas, cadeias Cosmos nativamente via IBC (Osmosis, Injective, Sei, entre outras), e até blockchains non-EVM. O protocolo também oferece VRF (Verifiable Random Function), aleatoriedade verificável on-chain para aplicações de gaming, NFTs e loterias.
O token BAND é usado para:
- Staking e segurança, delegação aos validadores da BandChain, com recompensas em BAND para quem participa na segurança da rede (mecanismo que explica a oferta em circulação exceder o max original de 100M)
- Governança, votação em propostas de actualização do protocolo e parâmetros da rede
- Pagamento de data requests, projectos pagam em BAND para solicitar feeds de dados via Oracle Scripts
- Incentivo aos validadores, recompensas por operar nós, executar scripts de dados e validar respostas de oráculos
A BandChain utiliza consenso Proof-of-Stake (Delegated BFT via Cosmos Tendermint), com capacidade para processar pedidos de dados em segundos. O projecto foi lançado no Binance Launchpad (IEO, Setembro 2019) e é apoiado por investidores como Sequoia Capital India, Spartan Group e Binance Labs. A Band Protocol é usada por protocolos como Mirror Protocol, Injective e diversos projectos do ecossistema Cosmos DeFi.